Quem dos mais saudosistas não se recorda desta canção, que foi utilizada num anuncio de publicidade a uma marca de electrodomésticos no inicio dos anos 80? Não me perguntem a marca, mas vêm à cabeça imagens desse anúncio e a canção que o acompanha.
Mas deixemos a publicidade e concentremo-nos no tema em si que foi composto em 1979 pela dupla The Buggles, composta pelo produtor Trevor Horn e Geoff Downes, que viria a conseguir um enorme sucesso com esta canção, conferindo a Horn a visibilidade que tanto almejava para expandir a sua criatividade na área da produção.
Esta canção fez parte do álbum The Age of Plastic, o primeiro de dois albuns que esta dupla lançou.
No entanto, a fama foi passageira e os Buggles separaram-se no inicio dos anos 80, sendo que Horn continuou a ser produtor e Downes juntou-se à banda ASIA, numa veia mais rockeira...quem não se lembra do grande sucesso de 1982 chamado Heat of the Moment?
No entanto, esta canção tornou-se num clássico dos anos 80 devido à sua utilização na fase inaugural do canal MTV em 1981, sendo o primeiro video passado neste canal de música (que de música agora não tem nada, infelizmente...), o que confere a este extraordinário tema um simbolismo tremendo. Pena que se tenha transformado num one hit wonder...
Por acaso, os meus pais não compraram este vinil mas recordo-me de ouvir esta canção durante a minha infância e de como bem mais tarde aprendi a apreciá-la como ela merece.
Como já tinha relatado anteriormente, a minha ligação com a música vem do berço, onde dormia embalada pelos sons melódicos que vinham do rádio...
Embora não entendesse uma só palavra, o meu corpo já se abanava todo ao som das melodias, o que para a minha mãe era um alivio tremendo.
Por isso, escusado será dizer que cresci a ouvir os vinis dos meus pais...para além do rádio, os vinis eram uma outra fonte de entretenimento para mim.
Convém dizer que os vinis começam novamente a aparecer timidamente em grandes lojas como a FNAC, mas sem a magnitude outrora.
Existiam 4 tipos de vinil:
LP: abreviatura do inglês Long Play (conhecido na indústria como, Twelve inches--- ou, "12 polegadas" (em português) ). Disco com 31 cm de diâmetro que era tocado a 33 1/3 rotações por minuto. A sua capacidade normal era de cerca de 20 minutos por lado. O formato LP era utilizado, usualmente, para a comercialização de álbuns completos. Nota-se a diferença entre as primeiras gerações dos LP que foram gravadas a 78 RPM (rotações por minuto).
EP: abreviatura do inglês Extended Play. Disco com 17,5cm de diâmetro (7 polegadas), que era tocado, normalmente, a 45 RPM. A sua capacidade normal era de cerca de 8 minutos por lado. O EP normalmente continha em torno de quatro faixas.
Single ou compacto simples: abreviatura do inglês Single Play (também conhecido como, seven inches---ou, "7 polegadas" (em português) ); ou como compacto simples. Disco com 17 cm de diâmetro, tocado usualmente a 45 RPM (no Brasil, a 33 1/3 RPM). A sua capacidade normal rondava os 4 minutos por lado. O single era geralmente empregado para a difusão das músicas de trabalho de um álbum completo a ser posteriormente lançado .
Máxi: abreviatura do inglês Maxi Single. Disco com 31 cm de diâmetro e que era tocado a 45 RPM. A sua capacidade era de cerca de 12 minutos por lado.
Os meus pais tinham muitos LP's e singles e foi com eles que apurei o meu sentido musical e me entretive ao longo dos meus verdes anos.
Um dos vinis que mais ouvi durante a minha infância e adolescência (até comprar a versão em CD) foi a banda sonora do filme Febre de Sábado à Noite.
Quem não se lembra da imagem icónica de John Travolta, ainda novinho e magrinho, a dançar nas pistas de dança nos anos 70?
Aliás, este filme e, sobretudo, a sua banda sonora foram responsáveis pelo cimentar do género musical "Disco", muito em voga nos finais dos anos 70. Este género musical não conseguiu sobreviver à ira dos amantes do rock e nos inicios dos anos 80 já estava em perfeito declinio, com muitas bandas associadas a serem banidas das rádios americanas (caso do Bee Gees que sobreviveram nos anos 80 a compor para outros artistas).
Mas voltemos à banda sonora...Nos EUA, o disco foi galadoardo disco de platina quinze vezes, ficando nas tabelas da Billboard até 1980. Foi a trilha sonora que mais vendeu na historia com 40 milhões de cópias, até ser ultrapassada em 1992 pela banda sonora do filme O Guarda-Costas.
Durante o ano de 1978, os Bee Gees dominaram por completo as tabelas mundiais com este album, sendo que três canções cantadas pelo grupo foram nº 1 em vários paises: Staying Alive, How Deep Is Your Love e Night Fever. Quem é que consegue resistir, passados 35 anos, ás batidas frenéticas do famoso Staying Alive? É sempre sucesso garantido em qualquer discoteca que recorde as musicas de outrora.
Este album tornou-se num clássico instantâneo e fez parte da vida de muita gente, incluindo a minha. O filme até nem é nada de especial...limita-se a ser um Rebelde sem Causa dos anos 70. Mas a sua banda sonora é eterna e muito actual...aliás continua a ser uma fonte de inspiração para muitos artistas (já se perdeu a conta de quantas versões o How Deep Is Your Love sofreu...).
Para mim foi essencial...ouvi tanto o vinil até ficar todo riscado, mas valeu a pena...aliás, vale sempre a pena quando a alma não é pequena.
Acabo esta primeira ronda de memórias musicais e televisivas com o célebre amiguito das crianças, que alertava para a hora de dormir...
Pois... à pala desse amiguito fofo de seu nome Vitinho, a minha mãe obrigava-me a ir cedo para a cama e aí de mim se eu fizesse fita.
Recordo-me da almofadinha do Vitinho que nunca tive...dos bonecos que saiam nos pacotes das papas Milupa...que a minha mãe enfiava-me pela goela abaixo (especialmente a papa de arroz)...enfim, um conjunto de memórias ternas e eternas que ainda povoam por esta mente já cansada. Deixo-vos com o genérico que obrigava muitas crianças a deitarem-se cedo, mas que foi um marco na vida de muita gente.
Mais outra memória fantástica do meu passado...esta série espanhola que marcou muitos miudos e graudos foi das melhores séries passadas na RTP e que deixou saudades. Quem não se lembra do bando de miúdos que andavam sempre juntos e pedalavam pela estrada fora em busca de aventuras nas férias de Verão? Quem não se lembra do adorável Chanquete e do barco que servia de refúgio aos miudos? Quem não se lembra da sofrivel e meiga Júlia, amiga de todas as horas?
Verão Azul é uma série de ficção espanhola criada por Antonio Mercero. A série foi produzida pela TVE(Televisão Espanhola) entre 1979 e 1980, com guião escrito por Antonio Mercero, José Angel Rodero e Horacio Valcárcel. Foram produzidos 19 episódios realizados por Antonio Mercero. A série tornou-se num ícone dos anos 80 nos países por onde passou e Portugal não foi excepção.
A série retrata as aventuras de um grupo de jovens adolescentes e crianças durante umas férias de verão em Nerja-Málaga, no sul de Espanha. Durante a série são abordados diferentes temas, desde o despertar da sexualidade, ao amor, o valor da amizade, a ecologia, a morte, a chegada da adolescência, e acima de tudo, o confronto geracional entre pais e filhos. A série estreou na RTP em 1983 na versão original com legendas em português e foi transmitida à posteriori no mitico Agora Escolha.
Há bem pouco tempo, foi transmitida na RTPMemória, onde tive a oportunidade de vibrar novamente com as aventuras do Javi, Pancho, Bia, Desi, Quique, Tito e o inesquecivel Piranã, o rapazito gordo que estava sempre com algo na mão para comer (acreditam que agora ele é um professor catedrático em Espanha?).
Outra saudade bem grande da minha infância...quem não se lembra do mundo mágico do Sitio do Picapau Amarelo? E da Dª Benta, da Tia Anástacia, da Narizinho, do Pedrinho, da boneca de trapos Emilia, do Saci Pererê, etc? Personagens que povoaram esta fantástica obra de Monteiro Lobato, considerado o melhor escritor de literatura infantil brasileira.
O primeiro livro com as personagens do Sítio foi editado em 1920. A partir daí foram editados mais 37 livros. A adaptação feita pela Rede Globo foi a quarta produzida para a televisão. Os textos desta versão foram da responsabilidade de Wilson Rocha, e também de Marcos Rey, Sylvan Paezzo e Benedito Ruy Barbosa. A direcção geral e a idealização do programa foi de Geraldo Casé. O programa teve cerca de 9 anos no ar (1977-1986) e teve no total 1.436 episódios. Ao longo do tempo, o elenco sofreu várias alterações. Cá em Portugal, a série estreou em 1981 e fez muito sucesso. E muitos ainda cantaroleiam a música de abertura da autoria de Gilberto Gil.
Mais outra série que me deixou saudades...a versão portuguesa da célebre série americana The Sesame Street, iniciada nos anos 70 e que era uma autêntica escola para os mais pequenitos. Por esta altura, entre 1989 e 1990, já estava a entrar perigosamente na adolescência mas nunca foi motivo para não seguir as peripécias de algumas personagens como o Poupas, o Egas e o Becas, o Mostro das Bolachas, o Conde de Contar, etc.
Estreou em Novembro de 1989 na RTP e terminou em Maio de 1990. A Rua Sésamo transformou-se num sucesso imediato, sendo bem recebida pelo publico infantil como pelo publico mais velho (onde eu me incluia). O programa passava de segunda à sexta na RTP á tarde mas como sucesso foi tão grande, começou a passar de manhã e repetia à tarde. A primeira série teve 130 episódios com aproximadamente 30 minutos e realização de Ricardo Nogueira. Cada programa era composto pelos sketches da rua portuguesa com actores portugueses gravados nos estúdios da Tobis. Também eram apresentados vários documentários tipo "como se faz o pão" ou mostrar "como se faz uma lâmpada". O programa continha também animações feitas em Portugal e também da Rua Sésamo original. Como não podia faltar tinha os sketches com os famosos bonecos da Sesame Street que eram dobrados por actores portugueses com direcção do actor António Feio. Após os 130 episódios a RTP voltou a repetir a primeira série, de Setembro de 1990 a Março de 1991 e voltou a repetir de Maio de 1991 a Novembro de 1991. Foram muitas as crianças que começaram a dar os primeiros passos na leitura e não só através da Rua Sésamo. Uma verdadeira escola!!!
Aliás, vários actores tornaram-se famosos com esta série como Alexandra Lencastre e Vitor Norte.
Recordo-me da bugiganga que se vendia nos quiosques sobre a série...eram livros, revistas, material escolar, etc. Enfim, saudades...
Eu sempre gostei dos Marretas, desde que eles surgiram ns finais dos anos 70. Mas a série que mais saudades me deixou foi, sem dúvida, Os Marretinhas.
Esta série era essencialmente as personagens famosas dos Marretas, mas em versão bébé, o que fazia tocar o coração, visto que na altura também era uma criancita. Lembro-me especialmente do material escolar alusivos aos Marretinhas e de como chagava a cabeça à minha mãe para ela me comprar algo para levar para a escola. Sim, já naquela altura era importante agradar a gregos e troianos e se agora é o telemóvel que faz a diferença, antigamente era o material escolar!
Adiante... Os Marretinhas são uma série de desenhos animados com as personagens dos Marretas em Bebés criadas por Jim Hendson. Esta série começou a ser produzida em 1984 e teve no total 107 episódios, ao longo de 11 temporadas. A série foi vagamente baseada numa sequência do filme dos Marretas The Muppets Take Manhattan, onde a Miss Piggy imagina como seria se ela e o sapo Cocas tivessem crescido juntos. Esta série foi produzida pela Jim Henson Company e pela Marvel Productions. Foi escrita por Jim Henson e realizada por John Gibbs. As músicas foram escritas por Robert Irving, Hank Saroyan. A série teve imenso sucesso, por isso teve 11 temporadas. Fora dos Estados Unidos, a série foi distribuída pela Walt Disney.
A história consistia nas peripécias dos bébés marretas que vivem mil e uma aventuras nas barbas da ama, muitas vezes aliavam a animação a cenas reais, ilustrando a criatividade destes bébés.
A série estreou em Portugal em 1986 na RTP, na versão original com legendas em português.