Nesta minha modesta lista de canções, tinha que constar uma canção desses grandes compositores da música moderna: Burt Bacharach e Hal Davis.
Desde o The Look of Love, passando por Raindrops Keeping Falling on my Head (banda sonora desse mítico filme chamado Butch Cassidy and the Sundance Kid), estes dois compositores possuem um enorme e inesquecível legado musical, que necessita de ser recordado mais frequentemente.
Uma das canções mais esquecidas (e muito injustamente, diga-se de passagem) é What the World Needs Now is Love, datada de 1965 e cantada por Jackie DeShannon (autora do bem sucedido Bette Davis Eyes, de Kim Carnes). Segundo Bacharach, foi das composições mais difíceis que Hal Davis escreveu, apesar da melodia ser muito simples. A melodia e o refrão principal estavam escritos desde 1962, centrados num ritmo de valsa, mas Davis demorou mais dois anos para afinar a letra. O subtexto da letra de Davis era a Guerra do Vietname e a divergência que isso provocava nos americanos. Dai que o sucesso da canção apanhou de surpresa os dois compositores.
Originalmente, era para ser cantada por Dionne Warwick, que recusou por achar a canção muito country e enfadonha. A escolha acabou por recair em Jackie De Shannon, o que resultou em cheio. Esta versão alcançou o 7º lugar da tabela da Billboard em 1965 e chegou an.º 1 no Canadá.
Teve direito a diversas versões, desde Cilla Black, Petula Clark, Supremes e, ironicamente, Dionne Warwick, para além de ter constado na banda sonora de diversos filmes, como Forrest Gump, Happy Gilmore, Bridget Jones, etc.
Deixo-vos com a fabulosa versão original e com uma versão (que desconhecia por completo) de Tom Clay de 1971.
Depois de uma ausência super prolongada (o que são sete anos?), regresso a este blogue para falar sobre as canções que marcaram a minha vida ou que, simplesmente, gosto de ouvir quando me apetece.
Esta é uma daquelas que eu gosto de ouvir de tempos a tempos, e que já teve uma catrafada de versões ao longo destas últimas décadas. Estou a falar de Proud Mary, dos Creedence Clearwater Revival.
No final da década de 1960, bandas que não tivessem uma figura chave no seu alinhamento (como Jim Morrison, Eric Clapton, Jimmy Page...), tinham que trabalhar arduamente para conseguir algum airplay. Redefinir instrumentos ou escrever um album conceptual era quase que obrigatório para se conquistar algum sucesso. John Fogerty, líder e vocalista da banda, não compunha canções de 16 minutos sobre sexo e não utilizava subterfúgios musicais para dar ênfase às canções, mas conseguia lançar sucessos atrás de sucessos.
Este quarteto californiano, composto por John e Tom Fogerty, Doug Clifford e Stu Cook, começou a sua carreira em 1968, com o álbum homónimo, que conquistou um disco de ouro. Em 1969, foi lançado o album "Bayou Country", que inclui o single que vou falar hoje, e que conquistou um disco de platina.
O que dizer de Proud Mary? Provavelmente, uma das melhores canções de rock de sempre, construida de uma forma simples, mas cativante, como era apanágio desta banda. John Fogerty escreveu esta canção em 2 dias, depois de ter sido dispensado da Guarda Nacional.Esta canção adveio de partes de canções diferentes: uma delas, era sobre uma lavadeira chamada Mary; a parte "Left a good job in the city", foi escrita depois de Fogerty ter saido da Guarda Nacional; a parte "Rolling on the river" referia-se a um filme de Will Rogers. Para além da componente rockeira, esta canção é uma mistura perfeita de canções com raízes na música negra. Mas quem é Proud Mary? É um barco a vapor viajando de cima a baixo pelo rio, onde o protagonista encontra alguma felicidade quando convive com forasteiros.
Esta canção, lançada em Janeiro de 1969, alcançou a dupla platina com vendas de 2 milhões de discos e streamings... o.que se justifica plenamente. Como já referi, sofreu imensos covers, nomeadamente de Ike e Tina Turner em 1971, também extremamente famosa e cativante. Deixo-vos com as duas versões... ambas são excelentes!
Hoje quero prestar uma pequena homenagem a um artista que nos deixou muito recentemente...estou a falar de Robin Gibb, um dos vertices do famoso trio de irmãos de seu nome Bee Gees.
Gibb faleceu no dia 20 de Maio, vítima de cancro do cólon. Junta-se assim ao seu irmão gémeo Maurice Gibb que morrera em 2003, e a Andy Gibb, seu irmão mais novo, que morrera em 1988 com a jovem idade de 30 anos.
Do supergrupo que conquistou gerações desde os anos 60 até à actualidade só resta o irmão mais velho, Barry Gibb. Também fica um verdadeiro legado de canções inesqueciveis que marcaram 5 décadas.
A carreira dos Bee Gees foi lançada em 1967 com o single inaugural New York Mining Disaster, e logo a seguir apareceram mais clássicos como To Love Somebody, Words, Massachussetts, I started a joke, I just got get a message to you, etc.
Com a fama repentina, vieram os conflitos entre os três irmãos, principalmente entre Barry e Robin que disputavam a atenção do manager Robert Stigwood. Em 1969, o trio separou-se tendo os irmãos lançado alguns singles a solo, especialmente Robin que lançou Saved by the Bell.
Mas em 1971, os irmãos concluiram que estavam melhor juntos a criar musica e assim relançaram-se com Lonely Days e How can you mend a broken heart, que foram tremendos êxitos.
Depois de mais alguns anos com pequenos sucessos, a banda lançaria o album Main Course em 1975, que mudaria drasticamente o estilo de música que os Bee Gees tinham seguido durante anos. Ficavam para trás as melodias sinfónicas e assim iniciava-se o estilo r'n'b e funk que caracterizou a carreira do trio nos anos 70. Deste album, surgiram pérolas da era disco como Jive Talkin, Nights on Broadway e Fanny be tender, todos eles êxitos para o grupo.
Em 1976, o trio seguiu a mesma entoada com o album Children of the World que originou grandes êxitos como Love so Right e You should be dancing. Contudo, nem o grupo e nem o mundo estava preparado para o êxito ciclónico que veio a seguir em 1977 com o lançamento da banda sonora de um pequeno filme chamado Saturday Night Fever, que revolucionou a época com a banda sonora e com a moda que lançou, graças á imagem icónica de John Travolta a dançar num fato branco de polyester ao som dos Bee Gees.
Os maiores êxitos de Bee Gees sairam deste album: Staying Alive, How deep is your love e Night Fever transformam-se em sucessos monstruosos que conquistaram as mais diversas tabelas mundiais. Em 1978, os Bee Gees lideravam as tabelas mundiais, não dando hipóteses a outras bandas. Até 1979, o trio mais famoso de irmãos estavam na crista da onda e lançaram mais sucessos como Tragedy, Too much heaven e Loving you inside and out, todos eles nº 1 em diversas tabelas, especialmente a da Billboard. Estes singles eram provenientes do album mais bem sucedido da carreira dos Bee Gees chamado Spirits having Flown. Contudo, com o sucesso também vem o desrespeito e a vingança e os americanos, cansados de verem o rock a ser ultrapassado pelo disco, resolveram vingar-se e fizeram uma manifestação contra o disco e, sobretudo, contra os artistas que faziam sucesso com o estilo disco. Em 1979, um dj de seu nome Steve Dahl resolveu promover um evento anti-disco chamado Disco Demolition Night, no estádio da equipa Chicago White Sox que jogava contra os Detroit Tigers. No intervalo do jogo, foram lançadas no campo toneladas de vinis de artistas "disco" no intuito de serem destruidos pelo publico que invadiu o campo e transformou o evento num motim incontrolável. Tudo em honra do rock e para rebaixar todo o estilo disco que estava muito em voga na altura. E quem vinha á cabeça no meio de todo este ódio? Os Bee Gees.
Depois deste grave incidente, a era disco terminava abruptamente e todos os artistas que ajudaram a lançar este estilo musical foram banidos das rádios e das tabelas americanas. Os Bee Gees deixaram de ter sucesso nos EUA, vendo os seus albuns a serem rejeitados pelo público que já não queria saber deles. No entanto, eles iam conseguindo sucesso nos anos 80 compondo e produzindo para outros artistas, como Barbra Streisand, Kenny Rogers, Dionne Warwick, Diana Ross, entre outros. O cunho Gibb estava em canções bem sucedidas como Woman in Love, Heartbreaker, Islands in the stream e Chain Reaction, grandes êxitos da década de 80. Mas infelizmente, o trio não conseguia lançar nada nos EUA tal era o tamanho do boicote que as radios fizeram.
No final dos anos 80, os irmãos Gibb voltaram a ter sucesso com o contagiante You Win Again (1987), One (1989), entre outros êxitos, especialmente na Europa e nos paises latinos. Os anos 90 também foram razoavelmente bem sucedidos com o lançamento de vários albuns, até que em 1997 e, na senda de muitos prémios tributos recebidos, os Bee Gees lançaram o album Still Waters, que foi bem recebido um pouco por todo o lado, especialmente nos EUA, onde tiveram sucesso com o single Alone. Quase 20 anos depois do boicote que sofreram do publico americano, os Bee Gees voltavam a conquistar as terras do Tio Sam. Em 1998, escrevem a bela canção Imortality para o musical Saturday Night Fever, interpretada pela diva Celine Dion.
Em 2001, o trio lançou o derradeiro album This is where I came in e dois anos depois, Maurice Gibb morria de complicações derivadas de uma operação ao figado.
Desde a morte de Maurice, os restantes membros dos Bee Gees andavam parados mas com intenção de fazerem alguma coisa juntos. Agora com a morte de Robin Gibb, nada mais resta senão o legado musical construido por este maravilhoso trio de artistas.
O meu grande sonho era ver este grupo ao vivo em Portugal...mas é um sonho que nunca se irá concretizar.
Cresci a ouvir incessantemente o album Saturday Night Fever e How deep is your love é a minha canção favorita. Na minha mais humilde opinião, este grupo deixou-nos canções inesqueciveis, poderosas, com significado...nada que se compare ao lixo que se ouve actualmente. O catálogo musical dos Bee Gees só é ultrapassado pelo dos Beatles e só isso comprova o estatuto de lendas que os Bee Gees conquistaram. São imensas as versões das suas canções...são imensas as memórias deixadas.
Robin Gibb era um excelente cantor. Tinha um vibratto muito especial e, embora, o seu irmão Barry tenha recebido mais atenção pelo seu falsetto, o dom de Robin não era de menosprezar.
Assim se perde uma lenda...um grande artista...um excelente cantor!
Deixo-vos com algumas versões feitas das belissimas obras primas deixadas pelos Bee Gees.