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domingo, 1 de março de 2020

1001 canções que devo ouvir até morrer - What the World Needs Now is Love, Jackie DeShannon

Nesta minha modesta lista de canções, tinha que constar uma canção desses grandes compositores da música moderna: Burt Bacharach e Hal Davis. 
Desde o The Look of Love, passando por Raindrops Keeping Falling on my Head (banda sonora desse mítico filme chamado Butch Cassidy and the Sundance Kid), estes dois compositores possuem um enorme e inesquecível legado musical, que necessita de ser recordado mais frequentemente.

Uma das canções mais esquecidas (e muito injustamente, diga-se de passagem) é What the World Needs Now is Love, datada de 1965 e cantada por Jackie DeShannon (autora do bem sucedido Bette Davis Eyes, de Kim Carnes). Segundo Bacharach, foi das composições mais difíceis que Hal Davis escreveu, apesar da melodia ser muito simples. A melodia e o refrão principal estavam escritos desde 1962, centrados num ritmo de valsa, mas Davis demorou mais dois anos para afinar a letra. O subtexto da letra de Davis era a Guerra do Vietname e a divergência que isso provocava nos americanos. Dai que o sucesso da canção apanhou de surpresa os dois compositores.

Originalmente, era para ser cantada por Dionne Warwick, que recusou por achar a canção muito country e enfadonha. A escolha acabou por recair em Jackie De Shannon, o que resultou em cheio. Esta versão alcançou o 7º lugar da tabela da Billboard em 1965 e chegou an.º 1 no Canadá.

Teve direito a diversas versões, desde Cilla Black, Petula Clark, Supremes e, ironicamente, Dionne Warwick, para além de ter constado na banda sonora de diversos filmes, como Forrest Gump, Happy Gilmore, Bridget Jones, etc.

Deixo-vos com a fabulosa versão original e com uma versão (que desconhecia por completo) de Tom Clay de 1971.





terça-feira, 25 de junho de 2013

One Hit Wonder: Nena - 99 Red Balloons (1984)

Foram muitos os one hit wonders lançados na década de 1980 e quase todos tornaram-se em grandes clássicos musicais. Aliás, a grande maioria se ouve pelas nossas rádios frequentemente, o que vem comprovar o quão resistiram ao teste do tempo.
99 Luft Balloons foi, sem dúvida, o grande sucesso da longa carreira de Nena (nascida Gabriela Kerner), uma cantora alemã que na década de 1980 ficou conhecida por uma canção de protesto que falava sobre a guerra.


Pelas entrelinhas desta canção esconde-se a paranóia que rodeava qualquer assunto relacionado com a guerra. A letra fala-nos da compra de 99 balões vermelhos por parte de Nena, tendo como objectivo lançá-los no ar pelo puro divertimento. Contudo, estes balões são detectados no radar e considerados como objectos não identificados, desencadeando um alerta de possível ataque nuclear, quando na verdade se trata de uma inocente brincadeira.
Supostamente é uma canção que fala sobre os sonhos que os alemães foram perdendo depois da 2ª Guerra Mundial. Os 99 balões representam os mais variados sonhos que cada alemão tinha e no final da canção Nena encontra um balão, para depois o largar no ar. Esse balão simboliza um sonho dela.
A ideia para esta canção surgiu depois do guitarrista de Nena, Carlo Karges, ter visto balões a serem lançados ao ar num concerto de 1982 dos Rolling Stones em Berlim. Ele escreveu a letra, enquanto que a melodia foi composta por Uwe Fahrenkrog-Petersen, o teclista.
Originalmente esta canção foi lançada somente na Alemanha em 1983, país de origem de Nena. A editora discográfica que a representava não estava interessada em lançá-la internacionalmente, até que um DJ de uma estação de rádio de Los Angeles encontrou uma  cópia e começou a passá-la nas ondas hertzianas. Na sequência do repentino sucesso, Nena lançou a versão inglesa, apesar dos americanos continuarem a preferir a versão original...sem perceberem patavina do que Nena cantava. E assim a canção chegou ao 2º lugar da tabela da Billboard, tornando-se na primeira canção alemã a concretizar esse feito.


A versão inglesa, rebaptizada de 99 Red Balloons, foi um enorme sucesso por todo o mundo (apesar da letra ser ligeiramente diferente da versão original), chegando mesmo ao topo da tabela do Reino Unido em Março de 1984. Apesar do sucesso estrondoso deste single, Nena será sempre considerada um one hit wonder internacionalmente, embora seja uma cantora com uma longa carreira na Alemanha.
Não sei se cá em Portugal esta canção foi bem sucedida, mas presumo que tenha sido. Só a descobri em plena adolescência e embora não seja uma das minhas canções favoritas da década de 80, até gosto de a ouvir pelo facto de me fazer regressar ao passado e aos meus ricos tempos de meninice.

Deixo-vos a versão original e a versão inglesa, meramente como objecto de curiosidade sonora. Desfrutem!




Esta canção foi utilizada em diversas bandas sonoras, sendo que em 2001 a banda Goldfinger fez uma versão para o filme Not another teen movie.




sábado, 12 de janeiro de 2013

Stevie Wonder - I just called to say I love you (1984)

Mais um vinil pertencente à bela colecção de discos dos meus pais e que marcou definitivamente a década de 80. É uma canção que perdurou no tempo e que continua a ser ouvida com regularidade nas rádios portuguesas.
I just called to say I love you é provavelmente um dos maiores êxitos da longa e premiada carreira de Stevie Wonder, e quando foi lançada em 1984 como parte da banda sonora do filme A Mulher de Vermelho foi um enorme sucesso por todo o mundo.
Alcançou o topo das tabelas mundiais, incluindo Portugal, e venceu na categoria de Melhor Canção Original na cerimónia dos Óscares.
Apesar da disputa que teve com antigos colaboradores que o acusavam de não ter escrito a canção, Wonder conseguiu sair incólume da situação e ganhar mais um sucesso merecido.
Escusado será dizer que esta canção é bem mais memorável que o filme a que pertence (não é caso único na década de 80). Penso que a única imagem que muitos retém do filme é a do vestido vermelho de Kelly Lebrock a levantar-se devido a um ventilador num parque de estacionamento, revelando umas belas e torneadas pernas.
Uma pequena trivia: alguém se lembra da versão portuguesa da autoria desse cantor magnânimo, de seu nome Marco Paulo?






The Shadows - Cavatina (1979)



Mais um vinil que ouvi incessantemente na minha meninice, mas que não fez parte da preciosa colecção de discos dos meus pais. Embora esta versão dos Shadows não seja a original, acabou por ser bem sucedida no mercado europeu conquistando um 9º lugar na tabela britânica e um 1º lugar na tabela holandesa. Não tenho conhecimento se esta versão fez sucesso também em Portugal, mas lembro-me de ouvir esta musica quando era muito pequena.
Convém explicar a origem da Cavatina...um senhor chamado John Williams (não confundir com o famoso compositor de bandas sonoras, como Tubarão e Guerra das Estrelas, etc.), guitarrista clássico de profissão, compôs esta melodia originalmente para piano mas Stanley Myers, a convite de Williams, iria reescrever a melodia para guitarra e expandi-la. A primeira vez que ela foi utilizada foi num filme de 1970 intitulado The Walking Stick, mas seria com o filme de 1978 O Caçador que ela ficaria mundialmente conhecida. Esta versão conseguiu um 20º lugar na tabela britânica, sendo seguida pela dos Shadows no ano seguinte.Para quem quer aprender a tocar guitarra, aqui fica uma bela e comovente melodia capaz de fazer derramar lágrimas. Vale a pena recordar.



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Remembering Robin Gibb (1949-2012)


Hoje quero prestar uma pequena homenagem a um artista que nos deixou muito recentemente...estou a falar de Robin Gibb, um dos vertices do famoso trio de irmãos de seu nome Bee Gees.
Gibb faleceu no dia 20 de Maio, vítima de cancro do cólon. Junta-se assim ao seu irmão gémeo Maurice Gibb que morrera em 2003, e a Andy Gibb, seu irmão mais novo, que morrera em 1988 com a jovem idade de 30 anos.
Do supergrupo que conquistou gerações desde os anos 60 até à actualidade só resta o irmão mais velho, Barry Gibb. Também fica um verdadeiro legado de canções inesqueciveis que marcaram 5 décadas.
A carreira dos Bee Gees foi lançada em 1967 com o single inaugural New York Mining Disaster, e logo a seguir apareceram mais clássicos como To Love Somebody, Words, MassachussettsI started a joke, I just got get a message to you, etc.
Com a fama repentina, vieram os conflitos entre os três irmãos, principalmente entre Barry e Robin que disputavam a atenção do manager Robert Stigwood. Em 1969, o trio separou-se tendo os irmãos lançado alguns singles a solo, especialmente Robin que lançou Saved by the Bell.
Mas em 1971, os irmãos concluiram que estavam melhor juntos a criar musica e assim relançaram-se com Lonely Days e How can you mend a broken heart, que foram tremendos êxitos.
Depois de mais alguns anos com pequenos sucessos, a banda lançaria o album Main Course em 1975, que mudaria drasticamente o estilo de música que os Bee Gees tinham seguido durante anos. Ficavam para trás as melodias sinfónicas e assim iniciava-se o estilo r'n'b e funk que caracterizou a carreira do trio nos anos 70. Deste album, surgiram pérolas da era disco como Jive Talkin, Nights on Broadway e Fanny be tender, todos eles êxitos para o grupo.
Em 1976, o trio seguiu a mesma entoada com o album Children of the World que originou grandes êxitos como Love so Right e You should be dancing. Contudo, nem o grupo e nem o mundo estava preparado para o êxito ciclónico que veio a seguir em 1977 com o lançamento da banda sonora de um pequeno filme chamado Saturday Night Fever, que revolucionou a época com a banda sonora e com a moda que lançou, graças á imagem icónica de John Travolta a dançar num fato branco de polyester ao som dos Bee Gees.
Os maiores êxitos de Bee Gees sairam deste album: Staying Alive, How deep is your love e Night Fever transformam-se em sucessos monstruosos que conquistaram as mais diversas tabelas mundiais. Em 1978, os Bee Gees lideravam as tabelas mundiais, não dando hipóteses a outras bandas. Até 1979, o trio mais famoso de irmãos estavam na crista da onda e lançaram mais sucessos como Tragedy, Too much heaven e Loving you inside and out, todos eles nº 1 em diversas tabelas, especialmente a da Billboard. Estes singles eram provenientes do album mais bem sucedido da carreira dos Bee Gees chamado Spirits having Flown. Contudo, com o sucesso também vem o desrespeito e a vingança e os americanos, cansados de verem o rock a ser ultrapassado pelo disco, resolveram vingar-se e fizeram uma manifestação contra o disco e, sobretudo, contra os artistas que faziam sucesso com o estilo disco. Em 1979, um dj de seu nome Steve Dahl resolveu promover um evento anti-disco chamado Disco Demolition Night, no estádio da equipa Chicago White Sox que jogava contra os Detroit Tigers. No intervalo do jogo, foram lançadas no campo toneladas de vinis de artistas "disco" no intuito de serem destruidos pelo publico que invadiu o campo e transformou o evento num motim incontrolável. Tudo em honra do rock e para rebaixar todo o estilo disco que estava muito em voga na altura. E quem vinha á cabeça no meio de todo este ódio? Os Bee Gees.
Depois deste grave incidente, a era disco terminava abruptamente e todos os artistas que ajudaram a lançar este estilo musical foram banidos das rádios e das tabelas americanas. Os Bee Gees deixaram de ter sucesso nos EUA, vendo os seus albuns a serem rejeitados pelo público que já não queria saber deles. No entanto, eles iam conseguindo sucesso nos anos 80 compondo e produzindo para outros artistas, como Barbra Streisand, Kenny Rogers, Dionne Warwick, Diana Ross, entre outros. O cunho Gibb estava em canções bem sucedidas como Woman in Love, Heartbreaker, Islands in the stream e Chain Reaction, grandes êxitos da década de 80. Mas infelizmente, o trio não conseguia lançar nada nos EUA tal era o tamanho do boicote que as radios fizeram.
No final dos anos 80, os irmãos Gibb voltaram a ter sucesso com o contagiante You Win Again (1987), One (1989), entre outros êxitos, especialmente na Europa e nos paises latinos. Os anos 90 também foram razoavelmente bem sucedidos com o lançamento de vários albuns, até que em 1997 e, na senda de muitos prémios tributos recebidos, os Bee Gees lançaram o album Still Waters, que foi bem recebido um pouco por todo o lado, especialmente nos EUA, onde tiveram sucesso com o single Alone. Quase 20 anos depois do boicote que sofreram do publico americano, os Bee Gees voltavam a conquistar as terras do Tio Sam. Em 1998, escrevem a bela canção Imortality para o musical Saturday Night Fever, interpretada pela diva Celine Dion.
Em 2001, o trio lançou o derradeiro album This is where I came in e dois anos depois, Maurice Gibb morria de complicações derivadas de uma operação ao figado.
Desde a morte de Maurice, os restantes membros dos Bee Gees andavam parados mas com intenção de fazerem alguma coisa juntos. Agora com a morte de Robin Gibb, nada mais resta senão o legado musical construido por este maravilhoso trio de artistas.
O meu grande sonho era ver este grupo ao vivo em Portugal...mas é um sonho que nunca se irá concretizar.
Cresci a ouvir incessantemente o album Saturday Night Fever e How deep is your love é a minha canção favorita. Na minha mais humilde opinião, este grupo deixou-nos canções inesqueciveis, poderosas, com significado...nada que se compare ao lixo que se ouve actualmente. O catálogo musical dos Bee Gees só é ultrapassado pelo dos Beatles e só isso comprova o estatuto de lendas que os Bee Gees conquistaram. São imensas as versões das suas canções...são imensas as memórias deixadas.


Robin Gibb era um excelente cantor. Tinha um vibratto muito especial e, embora, o seu irmão Barry tenha recebido mais atenção pelo seu falsetto, o dom de Robin não era de menosprezar.
Assim se perde uma lenda...um grande artista...um excelente cantor!
Deixo-vos com algumas versões feitas das belissimas obras primas deixadas pelos Bee Gees.





























quinta-feira, 15 de março de 2012

Febre de Sábado á Noite (1977)

Como já tinha relatado anteriormente, a minha ligação com a música vem do berço, onde dormia embalada pelos sons melódicos que vinham do rádio...
Embora não entendesse uma só palavra, o meu corpo já se abanava todo ao som das melodias, o que para a minha mãe era um alivio tremendo.
Por isso, escusado será dizer que cresci a ouvir os vinis dos meus pais...para além do rádio, os vinis eram uma outra fonte de entretenimento para mim.
Convém dizer que os vinis começam novamente a aparecer timidamente em grandes lojas como a FNAC, mas sem a magnitude outrora.
Existiam 4 tipos de vinil:
  • LP: abreviatura do inglês Long Play (conhecido na indústria como, Twelve inches--- ou, "12 polegadas" (em português) ). Disco com 31 cm de diâmetro que era tocado a 33 1/3 rotações por minuto. A sua capacidade normal era de cerca de 20 minutos por lado. O formato LP era utilizado, usualmente, para a comercialização de álbuns completos. Nota-se a diferença entre as primeiras gerações dos LP que foram gravadas a 78 RPM (rotações por minuto).
  • EP: abreviatura do inglês Extended Play. Disco com 17,5cm de diâmetro (7 polegadas), que era tocado, normalmente, a 45 RPM. A sua capacidade normal era de cerca de 8 minutos por lado. O EP normalmente continha em torno de quatro faixas.
  • Single ou compacto simples: abreviatura do inglês Single Play (também conhecido como, seven inches---ou, "7 polegadas" (em português) ); ou como compacto simples. Disco com 17 cm de diâmetro, tocado usualmente a 45 RPM (no Brasil, a 33 1/3 RPM). A sua capacidade normal rondava os 4 minutos por lado. O single era geralmente empregado para a difusão das músicas de trabalho de um álbum completo a ser posteriormente lançado .
  • Máxi: abreviatura do inglês Maxi Single. Disco com 31 cm de diâmetro e que era tocado a 45 RPM. A sua capacidade era de cerca de 12 minutos por lado.
Os meus pais tinham muitos LP's e singles e foi com eles que apurei o meu sentido musical e me entretive ao longo dos meus verdes anos.
Um dos vinis que mais ouvi durante a minha infância e adolescência (até comprar a versão em CD) foi a banda sonora do filme Febre de Sábado à Noite.




Quem não se lembra da imagem icónica de John Travolta, ainda novinho e magrinho, a dançar nas pistas de dança nos anos 70?
Aliás, este filme e, sobretudo, a sua banda sonora foram responsáveis pelo cimentar do género musical "Disco", muito em voga nos finais dos anos 70. Este género musical não conseguiu sobreviver à ira dos amantes do rock e nos inicios dos anos 80 já estava em perfeito declinio, com muitas bandas associadas a serem banidas das rádios americanas (caso do Bee Gees que sobreviveram nos anos 80 a compor para outros artistas).
Mas voltemos à banda sonora...Nos EUA,  o disco foi galadoardo disco de platina quinze vezes, ficando nas tabelas da Billboard até 1980. Foi a trilha sonora que mais vendeu na historia com 40 milhões de cópias, até ser ultrapassada em 1992 pela banda sonora do filme O Guarda-Costas.




Durante o ano de 1978, os Bee Gees dominaram por completo as tabelas mundiais com este album, sendo que três canções cantadas pelo grupo foram nº 1 em vários paises: Staying Alive, How Deep Is Your Love e Night Fever. Quem é que consegue resistir, passados 35 anos, ás batidas frenéticas do famoso Staying Alive? É sempre sucesso garantido em qualquer discoteca que recorde as musicas de outrora.
Este album tornou-se num clássico instantâneo e fez parte da vida de muita gente, incluindo a minha. O filme até nem é nada de especial...limita-se a ser um Rebelde sem Causa dos anos 70. Mas a sua banda sonora é eterna e muito actual...aliás continua a ser uma fonte de inspiração para muitos artistas (já se perdeu a conta de quantas versões o How Deep Is Your Love sofreu...).
Para mim foi essencial...ouvi tanto o vinil até ficar todo riscado, mas valeu a pena...aliás, vale sempre a pena quando a alma não é pequena.